FOSS.IN Primeiro dia : post geek

Reunião geek no café da manhã. Desci para comer, Alan Cox estava sentado no sofá, perguntei se ele já tinha comido e ele falou que estava esperando alguem para fazer compania. Fomos comer e logo encheu a mesa. Muita gente, eu ainda não decorei de onde e o que cada um faz. Mas depois disto, uma van toda enfeitada nos levou pro evento. Este é localizado em um parque de convenções ao que parece, com várias entradas que precisaram ensinar ao motorista como entrar. Chegamos com uma fila ja grande para inscrição, e fomos para a tenda principal. Assisti a abertura, que achei emocionante. Atul é o premier do evento, dirigente geral, e as palavras dele foram emocionantes. E apesar de tudo, tão simples, que tanta gente parece repetir mas nunca por em prática.
Eu não conseguiria traduzir aqui exatamente as palavras, ele é um grande orador, daqueles que escrevem rebuscado e se inspiram para falar. Contou a história do Linux Bangalore, o evento que se transformou no Foss.in e virou internacional. Falou sobre o principal objetivo de toda a mudança no formato do evento: integração. Eles não acreditam que o principal de um evento é ter um monte de palestras e um público apenas ouvindo. Não, as pessoas deviam interagir, perguntar, expor, trocar idéias. “Os palestrantes estarão la todos os dias, podem encontrá-los no saguão, na exposição. Aqui estão pessoas que se conhecem apenas por mail, e agora podem dar nome e voz aos contatos, criarem ideias, desenvolverem.” E contou um conto indiano, sobre algum príncipe que decidiu construir uma ponte entre lugares longínquos, eu acho que da India para o Sri Lanka. E convocou todos os animais da floresta, então os elefantes, rinoncerontes carregavam as pedras, leões e outro bichos trabalhavam. Então ele observou o trabalho de um esquilo, que ia até a praia, pegava um punhado de areia e levava até a ponte tapando os buracos entre as pedras grandes, fazendo uma espécie de cola. E foi esta cola que firmou a ponte em pé. E os esquilos eram todos ali envolvidos, que podiam fazer uma documentação, tradução, evangelização.
Depois disto ele acendeu uma lampada como simbolo de abertura do evento. Normalmente eu esperaria que ele chamasse Alan Cox, Danese, o cara do php. Mas ele chamou representantes de grupos locais, e fez questão de frisar que ele eram os maiores responsáveis pelo sucesso do evento. Não pude deixar de pensar na diferença do Brasil, onde a maioria dos contribuidores que eu conheço, respondendo nas listas, ajudando outras pessoas, fazendo documentaçao, tem que bancar do próprio bolso a ida para os eventos, até mesmo a inscrição de vez em quando, quando os internacionais tem todas as pompas. Acho que isto existe pelo fato de que no Brasil existem dois tipos de pessoas em toda a comunidade FOSS: as que comandam o show e as que contribuem. A noção de evento bem sucedido das pessoas que comandam o show é serem comentados pelos turistas, não o fato de que os eventos são absolutamente inócuos, um palco de holofotes e promessas não cumpridas, enquanto os desenvolvedores ficam relegados a um canto escondidos para não causarem barulho. Isto há muito tempo tem causado um “broxismo” geral de pessoas que depois de tantos anos se perguntam se ainda vale a pena, que devagar foram perdendo a motivação. O desabafo do Maçan é só um reflexo disto, que faz eco em muita gente que ainda tenta se convencer de que vale. E aqui parece ser justamente o contrário, a idéia central é fazer mais pessoas se envolverem nos grupos locais e contribuírem com o movimento. Mas não apenas com discursos demagogos e vazios, palavras e chavões repetidos, tentando fazer de conta que se importam com os “hackers” e na verdade de olho no que os contatos podem trazer de vantajoso. Aqui eles sabem do que estão falando.
Depois veio a palestra do Alan Cox e depois da Danese Cooper. Ambas eram sobre motivação e modos de contribuir, destaco algumas coisas que ouvi:
– É dificil entender outras culturas. Existem pessoas das quais o chefe espera algo do tipo “isto está errado, você é um idiota”. E existem pessoas para os quais isto custaria o emprego. Ele disse que é dificil gerenciar isto, e que ele aprendeu que precisa aprender o que é crítica pessoal ou não, mas aprender tambem o que não dizer, já que ele já tinha ofendido meia dúzia de pessoas por aih.
– Que documentação e tradução é muito muito importante, porque inclui outras pessoas no mundo do FOSS. É como o esquilo.
– Que ele ainda faz muito codigo ruim, apesar de todo este tempo. Que não tem jeito de aprender a fazer direito se nao fazer, certo ou errado.
Muitas, muitas mulheres no evento. A imensa maioria vestida de acordo com os costumes, e super timidas, tentando se ambientar na comunidade. Vamos motivá-las então 😀 Quase todo mundo que passa pela área onde temos os stand pára e pergunta sobre o Linuxchix, o que é, se temos projetos. Falei com muita gente.
Bom, to morrendo de sono. Amanha preciso achar um lugar pra comprar o cabo para passar as fotos… boa noite galera

One thought on “FOSS.IN Primeiro dia : post geek

  1. Muito legal Sula, fiquei muito feliz com essas notícias! :o)
    Isso de homenagearem os LUGs ao invés do Alan Cox realmente me parece certo, precisamos muito de gente como o Atul aqui no Brasil… Ah, e nem menciono a importância do stand das Linuxchix pois acho que não precisa falar mais nada né… :o)

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