LinuxWorld – Forma e Conteúdo

A LinuxWorld chega ao Brasil em altissímo nível. A presença macissa de empresas, gigantes, médias e pequenas, mostra que nem só de discurso vive a comunidade Software Livre. Ou seria Código Aberto?

Uma das primeiras conversas que tive foi com Alexandre Oliva, que sempre foi reconhecido pelo chapéu vermelho que carrega nos eventos. Desta vez, quem sabe para se diferenciar das meninas de stand da RedHat que também portava chapéus idênticos, ele encimava com um boné GNU. Durante a conversa, quando eu mencionei Linux ao que ele corrigiu GNU/Linux, e eu o informei que não utilizo esta nomeclatura, obviamente surgiu o debate. E a coisa felizmente descambou para a nomeclatura Free Software/Open Source. O Oliva levantou que muitas pessoas utilizam o discurso Open Source sem defender as questões de liberdade, até mesmo dizendo que isto não deveria ser mencionado. Eu rebati dizendo que o efeito “telefone sem fio” não deve ser usado como argumento contra a idéia inicial. Que no meu conceito, Open Source é o discurso utilizado para argumentar com pessoas para quem o apelo da liberdade não funciona, o que sim, é a maioria das pessoas. Especialmente empresas, que existem para gerar lucros. E que o fato de algumas pessoas distorcerem a idéia OSI para seus interesses pessoais NÃO É EXCLUSIVIDADE da OSI, com a Free Software Foundation ocorre a mesma coisa. Concordamos que não se deve deixar de apontar os ideais de liberdade, cada um no seu modo de trabalho.

Se comentou pelos stands que todos os expositores renovaram interesse para o proximo ano. E realmente, os stands viviam lotados, o que não acontecia com as palestras. Eu arrisco o meu ponto de vista: porque os stands tinham novidades. As palestras, para o público que foram dirigidas, estavam adequadas. Porém o grande público que se dirige a este tipo de evento já está convencido, já sabe do que se trata. E foi buscar as novidades nos stands…

Logo na entrada do espaço central, e cercados pelas dezenas de stands menores, estavam as gigantes. Recepcionando os visitantes, HP e IBM estavam lado a lado nos espaços. A HP estava demonstrando máquinas assustadoramente poderosas, e não apenas isto. Em vários pontos do stand, você podia ver demonstrações sobre virtualização(sim, tá na moda), computação de alto desempenho(HPC), bancos de dados. HPC e Virtualização foram combinados numa demonstração de uso prático: uma fabrica de automóveis utiliza um software, que alimentado com dados de velocidade, peso, material e outros, consegue simular os efeitos de uma batida para verificar a eficiência do material e dos itens de segurança. O que reduz os custos, afinal muito melhor simular do que destruir um carro para descobrir “é, assim não funciona”. E isto pode ser ampliado em muitos milhões: este conceito é utilizado pela Petrobrás para busca de petróleo, e a empresa é reconhecida como a com o maior índice de acertos em perfurações. Para uma perfuração, toda uma estrutura é montada, e apenas uma broca para operação custa em torno de 8 milhões de dólares. Obviamente, uma tentativa mal sucedida causa um grande impacto, e eles não podem distribuir printfs pelo código para testes. E adivinhem? Este grande cluster da Petrobras, que é um dos 20 maiores do mundo, roda em Linux. Um dos envolvidos na contrução dele é Marcos Pitanga, autor do livro “Construindo Super Computadores em Linux”, que foi palestrante do Primeiro e Terceiro Encontro Linuxchix, onde apresentou maiores dados sobre o cluster.

Novell, RedHat e Itautec estavam uma de cara para a outra oferecendo a mesma linha de produto. Porém não se limitaram apenas os brindes e troca de cartões. Nos stands da RedHat e Novell haviam apresentações frequentes. Marcelo Tosatti falou sobre o projeto OLPC, representantes falaram sobre certificação, e foi feito o anúncio do início das operações da RedHat Brasil. A Novell também tinha apresentações frequentes onde o público podia interagir com os produtos, além dos diferentes pontos de demonstração onde podiam chegar para falar com os técnicos e receber informações sobre o que estava sendo apresentado. A Itautec apresentava o Librix em hardware desenvolvido pela empresa. Encontrei a Lisiane Teixeira que participou da produção do Librix, e ela estava bastante entusiasmada em ver o filhote sendo apresentado. Porém o sinal de + vai para a Novell e RedHat que sabendo que distribuições Linux já são velhas conhecidas, prepararam conteúdo extra para demonstrar no espaço.

Finalmente conheci pessoalmente um dos meus mestres de HA, Luis Claudio, ex Conectiva, atual Intel. No “Garden” da Intel, um espaço com sofá, café, onde demonstravam soluções parceiras de VOIP, e entre uma interrupção e outra, travamos um divertido debate sobre processadores 64, flags de compilação, gentoo e nerds. No FISL havia encontrado Olivée Leite, outro dos meus mestres em HA, que ficou feliz em saber que eu estava tentando reativar a lista de HA brasileira no Linuxchix, onde ele já entrou e ajuda a resolver problemas dos participantes. Agora, fica a promessa do LC de voltar aos velhos tempos também, se ele conseguir algum tempo livre!

Alias, um dos pontos altos foi encontrar muitos profissionais lá que por muito tempo ralaram e ralaram e ralaram e ralaram e agora continuam ralando, porém devidamente valorizados pelas empresas. Afinal, um nerd competente e que ainda consegue se comunicar adequadamente, que mantém responsabilidades e sabe que acima de divegências filosóficas, os clientes estão esperando soluções, é um profissional atualmente em alta. Eu sempre fiquei pensando nas pessoas que ficam apenas no campo teórico das questões, esbravejando contra as grandes corporações, enquanto compram sua Coca-Cola no McDonalds com seu cartão de crédito, e tem ataques histéricos quando o sistema da compania aérea cai e atrasa todo o embarque. Será que nesta hora, se o cartão não passasse, se o vôo fosse adiado, e o banco saísse do ar, se contentariam em saber que está tudo sendo migrado para um software que não é ainda usável, porém é livre?

Muitos conhecidos, vários amigos, dezenas de stands, soluções. Ao lado da Solis, o pessoal da CrackIT demonstrava as soluções enquanto um palhaço criava pinguins com bexigas. Para os que se lembram, a CrackIT foi a empresa que por mais de um ano hospedou o nosso servidor, e devido a espaço físico não foi possível continuar. Não custa sempre lembrar de quem ajuda na caminhada.

A Solis, com a experiência de quem já tem muitos anos de estrada tanto no mercado corporativo quanto nas soluções livres, apresentava seus sistemas. Eu acompanhei algumas explicações feitas pelo Marcone, Josi e Alex, e era por vezes engraçado a surpresa das pessoas quando descobriam que o software era gratuito, que eles podiam baixar da internet e olhar, modificar, fazer o que quisessem, mas se eles quisessem o apoio e suporte de especialistas, eles poderiam conversar sobre negócios. E com toda a expansão, todos os clientes, soluções e desenvolvimento, a Solis é um exemplo cada vez mais vivo de que competência é o que faz a viabilidade das soluções livres.

E por último, obviamente a palestra de Bill Hilf, da Microsoft, responsável pelo Open Source Lab. Podemos dizer tudo, menos que os caras não tem coragem de dar a cara a tapa. Ele estava lá na primeira fileira e assistiu a palestra de Maddog. Sempre um gentleman, nosso embaixador retribuiu, mas obviamente não apenas por gentileza. O discurso de Bill Hilf, no geral, todo mundo pode adivinhar: interoperabilidade é a palavra de ordem. Com dezenas de sistemas em todos os níveis, desde hardware, conectividade de rede, bancos de dados e sistemas operacionais, não se pode mais exigir que o cliente mude toda sua estrutura por causa de determinada peça do ambiente. Mostrou um exemplo de um hospital dos EUA, onde eles prestaram todo o suporte a JBoss para a integração com o Windows, mesmo sabendo que eles eram concorrentes diretos. O cliente já havia feito a escolha, já estava decidido, e eles decidiram cooperar ao invés de tentar forçar uma escolha .Net. Falou também sobre as licensas que criaram para liberar os códigos que foram sendo abertos. Ele citou uma parte da palestra do Maddog, para enfatizar: “Escolha e concorrência são ótimos, para todo mundo. Nós acreditamos que todos, inclusive os desenvolvedores, tem o direito de escolher como vão licenciar seu trabalho. Liberdade começa aí: deixe-me escolher o que eu vou fazer com meu trabalho; não me obrigue a seguir seu caminho ou sair do caminho, deixe-me escolher o meu caminho”.

Durante a palestra, um dos técnicos demonstrou as mudanças feitas no Active Directory para permitir logon de Unix/Linux na base de dados. Procurei o técnico depois da palestra para falar sobre isto, já que há muito tempo publiquei um artigo sobre autenticação Samba no AD, e muita gente me pedia ajuda para realizar o mesmo no login do Linux. Ele me contou como é feito, trocamos e-mails e logo pretendo aumentar a documentação para atender a este aspecto.

Muitas gravatas, ternos e terninhos, trocas de cartões e reencontros. Excelência tecnológica não precisa ser associada a inabilidade de comunicação. Competência não necessita ser demonstrada com exentricidades e estrelismos. Trabalho e código não são feitos de brados, apitos e cerveja grátis. E quem paga a conta quer resultados práticos. Do ponto de vista de expositores, técnicos, palestrantes e clientes, o evento foi um sucesso estrondoso. Quem não está acostumado a bradar discursos inflamados e não receber aplausos, que não está acostumado a um ambiente onde a prática precisa ser demonstrada e não apenas a teoria, provavelmente não gostou. Mas se até a Microsoft reavalia seu discurso e seus representantes compartilham informação, é sinal de novos tempos. Como disse Franklin Carvalho, para muitos, “o software é livre mas a mente é proprietária”. Liberte sua mente. Bem vindo ao mundo real.

Mujeres Dramáticas

Se você está aqui é porque:

-Já se surpreendeu com os olhos borrados depois de uma madrugada sem lógica

-Usa acessórios enoooormes

-Faz papel de palhaça (e às vezes de heroína)

-Não entende como alguém pode ser blasé nos trópicos

-Tem constantes calos nas cordas vocais

-Tem a mentalidade de uma italiana competindo em festival de música romântica

-Sente-se freqüentemente injustiçada e criticada

-Acredita na ficção

-Ama vertiginosamente

-Briga com maestria

-Espalha suas cores e estampas conflitantes pelas ruas

-Perde a razão justo diante da platéia mais hostil

-Larga tinta quando encosta a cabeça no travesseiro

-Frustra-se acima do nível tolerado com as coisas mais banais (para os outros)

-Não economiza nos adjetivos e advérbios

-Comove quando entra em cena

-Muda de humor freqüentemente afinal só boneca mantém a mesma expressão a vida inteira

-Sente-se tão incompreendida que precisou entrar nesta comunidade.

Planejamento, ITI e Serpro respondem à revista Veja

Retirado do BR-Linux

O Presidente do ITI, Renato Martini, em um gesto de consideração pela comunidade livre nacional pelo qual agradeço em nome de todos nós, enviou no final da manhã de hoje um e-mail pessoal informando sobre a divulgação de uma nota oficial assinada por ele, por Rogério Santana (SLTI) e por Wagner Quirici (presidente do Serpro). O presidente do ITI tem um relacionamento com a comunidade de código aberto nacional de de uma forma que o distingue de diversas outras autoridades federais da área: além do envolvimento profissional e acadêmico com o tema, ele é autor de um livro sobre segurança em ambientes Linux e de outro sobre aplicação da criptografia à cidadania digital, fortemente calcado no GnuPG. Além disso, é leitor do BR-Linux, e de vez em quando até comenta por aqui.

18-Maio-2006: Brasília-DF

Com relação à matéria “O grátis saiu mais caro”, publicada na edição de 17/05/06, gostaríamos de esclarecer que o software livre é uma opção estratégica do governo federal por reduzir custos, ampliar a concorrência, gerar empregos e desenvolver o conhecimento e a inteligência do Brasil nessa área. Esclarecemos que somente com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), citado no texto, obtivemos uma redução de custos de cerca de R$ 14,8 milhões ao implantar o software livre, o que exigiu investimentos em serviços e treinamento de apenas R$ 396 mil. Caso a citação de contratação de 2 mil técnicos esteja referindo-se ao Serpro, a Empresa esclarece que as vagas abertas para concurso público nos últimos anos tiveram o objetivo de atender às várias áreas de atuação, desde desenvolvimento de sistemas, área de rede, datacenter, administrativa e software livre, para citar algumas.

O desenvolvimento dos padrões e-PING adotados pelo governo para a troca digital de dados e informações possibilitaram importantes avanços na comunicação entre as bases de dados oficiais. Entre eles, destacamos a integração em 2004 dos sistemas de segurança pública dos estados ao Infoseg, do Ministério da Justiça, a um custo de apenas R$ 8,5 milhões. Hoje, informações como cadastros de veículos e de pessoas com mandado de prisão decretada estão disponíveis on-line 24 horas por dia, informação também omitida no texto da reportagem. Durante anos, o governo não conseguiu fazer essa integração devido aos altos custos em investimentos em equipamentos, softwares e pagamentos de licenças com softwares proprietários que foram orçados em R$ 4 bilhões.

Em compras governamentais, tivemos o maior desempenho com o pregão eletrônico desde a sua implementação em 2000. No primeiro trimestre de 2006, este representou R$ 1,1 bilhão das compras de bens e serviços comuns, com uma participação de 46% do total adquirido pela administração direta. Em 2002, o pregão eletrônico representava apenas 0,8% das aquisições com R$ 62 milhões licitados. O Brasil foi reconhecido pelo BID e pelo BIRD como o maior usuário de compras eletrônicas do mundo na modalidade leilão reverso e o sistema federal brasileiro foi o primeiro aceito por ambas as instituições financeiras para contratações envolvendo seus recursos. Levantamento da FF Pesquisa & Consultoria / e-stratégia pública e divulgado em parceria com a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico – Camara-e.net, indica que as compras da União, incluindo a administração direta e indireta, representaram no primeiro trimestre de 2006 cerca de 40% dos R$ 419 milhões em compras públicas realizadas integralmente pela internet.

No caso do Imposto de Renda, informamos que o programa opera em multiplataforma. O contribuinte que utiliza os programas do Imposto de Renda não pode ficar refém de apenas uma plataforma, seja ela qual for. A opção por torná-lo multiplataforma faz parte da estratégia de governo, de adotar soluções universais, melhor ainda se forem mais econômicas. A respeito da suposta “utilização pelo Governo Lula das conquistas eletrônicas da administração anterior em sua desastrada campanha para se tornar líder sul-americano, com conseqüências que teriam sido um banho de água fria nas aspirações comerciais de muitas empresas sediadas no Brasil”, temos a informar que o consórcio Vesta/Unisys – cuja diretora da empresa Vesta é citada na matéria – teve seu contrato rescindido pelo Governo Federal no dia 20 de dezembro de 2002, no apagar das luzes da antiga administração. O motivo foi a não implementação das funcionalidades do pregão eletrônico e do portal de compras públicas Comprasnet, conforme havia sido contratado e não devido à substituição da solução por softwares abertos. Isso causou atrasos na implantação do sistema de pregão eletrônico, que precisou ser totalmente refeito pelo Serpro. Além disso, ao contrário do que consta na matéria, o portal Comprasnet não teve versões em código aberto, há uma segunda versão em desenvolvimento que utilizará software livre.

Rogério Santanna – Secretário Executivo do Comitê Executivo de Governo Eletrônico/Ministério do Planejamento

Renato Martini – Presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação

Wagner Quirici – Diretor-Presidente do Serpro

http://www.iti.br/twiki/bin/view/Main/PressRelease2006May18A

Que articulistas o c******. A gente tem que falar é com quem manda.

Eu tentei…

Mas não consegui cumprir a promessa que fiz pra mim mesma.

Eu havia decidido, este ano não vou me meter em nada. Eu sei que vai ser uma guerra, mas não vou me meter. Não vou me manifestar, não vou falar nada. Nem quando começarem o palanque para eleição dizendo que “este governo e o PT sempre apoiaram o Software Livre, vocês precisam votar nele para que não seja desmontado o que foi feito”. Eu jurei que ia sumir e rezar… mas não dá.

São Paulo vive um dia inacreditável. A cidade sim, está um caos. Embora o trajeto da minha casa(Metro Paraíso) para o trabalho(São Caetano do Sul) tenha sido relativamente normal, devido aos inúmeros caminhos alternativos que o motorista tomou, dá pra ver a cidade inteira parada, engarrafada. Agora pouco o gerente recebeu um telefonema do irmão dizendo que o PCC mandou parar os fretados. Eu não entendo ainda o que é que eles querem desta vez, apenas mostrar poder? Bem que podiam querer parar todo mundo para dizer “olha, não temos nada a ver com aquele povo lá de cima viu?”.

Mas o que todo mundo viu é que não há comando. Não tem comandante, não tem controle. Está todo mundo pasmo. Não acho que isto vai ficar assim, não acho que vá virar o Rio. A diferença daqui com o Rio é que lá so morrem pessoas, e os prejuízos pro comercio são contabilizáveis. Aqui, se fossem só as pessoas que morreram, provavelmente não se faria nada. Mas imagino que os prejuízos financeiros aqui sejam bem maiores.

Isto depois de um fim de semana onde tomamos bala perdida na briga da Veja e PT, me deixaram num mau humor que há tempos não sentia. A reportagem da Veja diz que a “opção pelo software livre atrasa o país” foi, obviamente, direcionada ao governo. Ou melhor, ao desgoverno que atualmente tem o país. E o mais patético são as respostas: “isto é reportagem comprada”, “a Veja é comprada”, “isto é FUD”. Eu não aguento mais esta desculpa esfarrapada, fajuta, sem vergonha, deste povo que passou anos enchendo o saco dizendo que faziam alguma coisa, que esta corja de “articulistas” serviam pra alguma coisa além de aumentar o cabide de empregos. E agora eles se mostram tão inúteis quanto qualquer um previu: 3 dias depois da reportagem, ninguem sabe montar uma resposta decente. O que me leva a crer que por mais que doa, por mais que eles estejam arruinando o meu e o trabalho de muitos durante anos, nos quais mostramos as vantagens técnicas, financeiras, de viabilidade, de planejamento e melhores práticas, além das questões filosóficas, eles conseguiram cagar tudo. A exemplo dos lá de cima, foram com tanta sede ao pote que provavelmente acharam que um bando de nerd que dava seu trabalho de graça só podia ser besta, e que seria massa de manobra fácil.

Bom, eu não sou massa de manobra. Eu não quero o dinheiro dos meus impostos indo para a Microsoft, mas também não o quero desviado pro bolso destes corruptos. Estamos sendo avacalhados em rede nacional, estão nos chamando de bestas, nesta de que ninguem sabe, ninguem viu, é tudo complo da imprensa, a Veja quer nos destruir. Chega de demagogia, chega desta palhaçada. Eu não sou massa de manobra, eu não compactuo com esta pouca vergonha.

“Primeiro eles vieram buscar os comunistas. Não falei nada, porque era comunista.
Então, eles vieram buscar os judeus. Nada falei, porque não era judeu.
Depois, vieram buscar os operários, membros dos Sindicatos. Nada falei, porque não era operário sindicalizado.
Então eles vieram buscar os católicos e não falei nada, porque sou protestante.
Finalmente, eles vieram me buscar – quando isto aconteceu, não havia restado ninguém para falar”.

Matin Niemoeller, pastor alemão, sacrificado pelos nazistas

Se eu ganhasse 100 mil reais de prêmio…

Ou mais uma da série “Sumalita Gárcia Ataca Novamente
Imagina se eu ganhasse 100 mil reais de prêmio. Sim, porque eu como pessoa fundamental e indispensável, deveria merecer um prêmio semelhante apenas por existir, não? Ou quem sabe, por sonhos alucinógenos de algumas mentes criativas, simplesmente nada acontece sem dinheiro. Ou por causa dele. Então pelo padrão deles, eu deveria ganhar 100 mil reais de prêmio. Nem eu sabia que minha imagem estava valendo tanto. Será que eu também deveria começar a cobrar pelas pessoas que me pedem foto???

Com 100 mil reais dá pra fazer o que? Terminar de pagar meu carro, será que é uma boa? Não sei se quitando o financiamento eles me dariam mais desconto. Se não, talvez seria melhor pegar a grana que ainda falta, uns 20 mil, e investir. Dá quanto de rendimento, alguem sabe? O máximo que eu entendo de investimento é ser usuária de carteirinha dos 10 dias sem juros do cheque especial do Real 😀

Uma casa pra minha mamãe, obvio que eu ter que fazer o velho papelão, mas que posso fazer. A velha merece e muito. Ou vocês acham que eu tenho a fama que tenho porque sou um anjo fora da internet?

E obviamente, OBVIAMENTE, estaria neste momento no Tahiti. Daria uma banana pra todo mundo e gastaria o resto da grana lá. Que internet o quê, quero ficar naqueles bangalôs em cima da agua, receber o café da manhã de canoa.

E ainda mandava um postal com beijos para todos os brilhantes investigadores cujas denúncias revelaram que apesar de feminista assumida, tenho despesas suspeitíssimas com manicure, cabelereiro e vários estranhos depósitos para uma empresa italiana chamada Alfa Parf. Que há sérios indícios de ligações minhas com distribuidores de produtos derivados de plantas da amazônia, com várias assinaturas minhas comprovando que eu participo do esquema de mensalão da faxineira, disfarçados de “creme para as mãos de pitanga” e “sabonete de andiroba“.

Que obviamente, estou também envolvida com a máfia japonesa, já que foram encontrados com um representante dela, disfarçado de professor de canto, um cheque meu de valor suspeitíssimo, com 1500% de superfaturamento na criação de um CD de “playback”. O back, obviamente, pode ser interpretado como drogas ilícitas.

E logicamente, todo o esquema do Linuxchix é um esquema ilegal de tráfico de mulheres para a Patagônia. Ou seria para Ilhas Caimã? Bom, Ilhas Caimã é departamento da Renata, outra envolvida no esquema.

Enfim, nem eu sabia que eu andava tão bem cotada. Agora chega de delirar e vamos trabalhar que tem maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaais uma conference… Hi, this is Sulamita.

Atualizado: 100 mil pra dividir com todo mundo? Puta que pariu ein? Retiro o que disse sobre estar bem cotada. E segundo escalão é a mãe viu!

O maior derrotado

Miriam Leitão: essa foi uma semana desastrosa para a diplomacia brasileira. O Brasil pareceu na reunião derrotado e submisso. Evo Morales se fortaleceu, e Hugo Chávez cantou vitória.

Essa foi uma semana desastrosa para a diplomacia brasileira. A reunião de ontem foi inacreditável. Evo Morales se fortaleceu. Hugo Chávez cantou vitória. Néstor Kirchner disse que o importante é o suprimento. Lula disse que agora a Bolívia vai apresentar uma lista de demandas.

O Brasil foi o maior derrotado na reunião. O que houve foi um precedente perigoso: há muitas empresas brasileiras em vários países latino-americanos. Essa presença tem crescido.

A informação que o evento passou é que tudo pode acontecer: todos os direitos das empresas desrespeitados, todos os contratos rasgados, porque o presidente do Brasil se solidariza e ajuda o país que agrediu.

Há muita coisa que podia ser feita, de forma pacífica e diplomática. Primeiro: agir preventivamente. Evo Morales disse que iria fazer o que fez. O governo brasileiro errou ao não acreditar. Deveria ter tentado mostrar os riscos desse caminho.

Segundo: depois que tropas ocuparam as instalações da Petrobras e que os contratos foram rasgados, o Brasil tinha que ter dito que não gostou – em uma nota de repúdio, pelo menos.

Terceiro: não podia ter feito uma reunião com a de ontem. Se fizesse, não poderia ter convidado Hugo Chávez. Se convidasse, não poderia ter deixado Chávez falando mais que todos e com a última palavra. O Brasil pareceu, na reunião, derrotado e submisso.

A Bolívia é dona de suas riquezas e pode mudar suas leis, mas todos os países devem respeito ao direito internacional. Portanto, cada país tem limite até dentro do seu território. O que houve não foi um pedido de aumento de preços – se fosse isso, bastava propor uma negociação. A Bolívia fez foi um ato hostil antes de conversar. E pelo que Lula disse ontem, vai ser recompensada por isso.

Só acredita em Hugo Chávez quem quer

Hugo Chávez está em toda parte do mundo, mas e os problemas internos da Venezuela? O país está perdendo uma grande oportunidade: aproveitar a alta do petróleo para e desenvolver.

As receitas venezuelanas aumentaram muito, e o governo Hugo Chávez está nadando em dinheiro. Mas ele é péssimo administrador. Caracas está cada vez pior, porque ele não investe nem em melhoria urbana na capital. Quem financia o metrô de Caracas é o nosso Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A pobreza não diminuiu, a desigualdade não caiu e a violência aumentou. Para se ter uma idéia, a Colômbia, país que sempre teve muito problema com a violência, está comemorando bons resultados na queda dos números de homicídios.

Chávez gasta a maior parte do seu tempo em brigas externas e atos espetaculares para chamar a atenção. Nos negócios, é um pragmático: os estados unidos são o país com quem tem o maior comércio e no qual mais investe.

Seu plano é aumentar o poder da PDVSA, que é o seu braço para agir. O dinheiro da empresa financia o governo. Essa galinha dos ovos de ouro está agora avançando sobre os outros países.

Na Bolívia, Petrobras e PDVSA são competidores, e nessa semana a empresa venezuelana pôde comemorar sua vitória sobre a Petrobras. Só acredita em Hugo Chávez quem quer – e Lula, pelo visto, quer.

http://bomdiabrasil.globo.com/Jornalismo/BDBR/0,,AA1190753-3682-452892,00.html