Relatório de Bordo

De volta a vida normal, muitos mimos e vários quilos depois. Eu não sei de onde esta idéia que a “dieta do mediterrâneo” não engorda, como assim pão e azeite de oliva todo dia não engorda? Mas tudo bem, nada que alguns meses caminhando e comendo só alface não resolvam. Primeiras fotos aqui. Mas como diria meu amigo Jack, vamos por partes:

Palestra, Radio Paca e Barcelona – O áudio da palestra está disponível neste post do site da Radio Paca, assim como várias fotos. O áudio está dividido entre a palestra e as perguntas. Infelizmente eu mesma tenho poucas fotos porque o conector da minha câmera nao entrou de jeito nenhum no conversor, então como nos primeiros dias eu estava sem bateria, tive que me contentar com as fotos do celular do Hector, que ate que não sairam mal. A foto que eu mais gosto é esta, onde se me lembro bem a Lilia estava me contando como foi a inauguração do novo local da Radio, com direito a alarme de incêndio e tudo. Muito Pakas, estas mulheres.

Barcelona merece um parágrafo a parte. Não pude aproveitar muito, pois como falei no post anterior, a correria, privação de sono e de alimento tem uma ação rápida sobre mim. Mas no pouco que pude conhecer, é uma cidade muito pitoresca, digamos assim. A começar pelo nosso ponto de referência, a Torre Agbar(também aqui)(olhe os link para entender o porque do pitoresco), para chegar ao local da palestra. Depois da palestra e do almoço, a pergunta “o que vc quer fazer agora?”, eu respondi a primeira coisa que pensei “Ir numa sorveteria”. Então andamos várias quadras até o metro (do lado da torre, da qual nao consegui um bom angulo), então duas estações até o centro, e então várias quadras até uma sorveteria não sei se típica ou famosa, ou a única aberta nesta época do ano(deveria estar bem frio já, mas estava um calor fora de época. Ares brasileños?). O centro antigo é muito bonito, com ruas estreitíssimas onde literalmente você sabe tudo que seu vizinho da frente faz. A maior parte da cidade foi reconstruída depois de um incêndio gigantesco, onde agora as ruas são amplas, as construções afastadas da cidade, as esquinas tem um formato diferente para facilitar a visão e outras coisas. Além de muito bonita, claro.

Zaragoza – passei boa parte destas três semanas nesta cidade que só de civilização romana tem mais de dois mil anos, quando era Caeseraugusta. Quê, gostou do nome da cidade? Achou engraçado? Pois você ainda não viu nada. Antes mesmo dos romanos, a cidade já existia, o que faz da cidade um grande sítio arequeológico. Alguem me disse que “aqui é assim, faz uma obra na rua, sai alguma construção de não sei quantos mil anos”. Visitei o Forum Romano, o Teatro Romano, embora ache que a Praça do Pillar foi o que mais ouvi falar(e visitei também). Aprendi também um pouco a falar “aragonês”, onde existe a única palavra que tem todas as vogais acentuadas: Zárágózá. Alias, um pequeno guia de expressões:

jodo!(leia-se rodo!) – fuck!
hasme caso – presta atenção
listo – pronto(ou esperto)
pronto – rápido
ya está – pronto, acabei
te quiero un huevo – te amo muito

Zaragoza é a capital da Província de Aragón, que também é o nome da Comunidade autônoma. Os aragoneses são conhecidos como baturros, e também por sua teimosia, embora jurem que não. Existe um personagem de quadrinhos criado como caricatura dos aragoneses, o Supermaño. Na tira mais conhecida, ele se recusa a sair da linha do trem onde já estava andando, pois o trem que saísse do caminho. Mas certamente de lá vem as melhores lembranças.

Warp e Empresas de desenvolvimento – estranhamente, a estabilidade dos links de internet por lá não é dos melhores. Então durante uma queda de apenas 5 dias(felizmente envolvendo o fim de semana) na ADSL, montei minha barraquinha, quer dizer, meu notebook na Warp. Não sei exatamente se era a presença de alguém de fora e todos estavam tentando se comportar, mas eu cada vez mais penso que talvez desenvolvimento não seja para mim. Aquele silêncio necessário para a concentração me deixa mais desconcentrada ainda, e no fim com sono. O que rendeu longos debates depois sobre o fato que a maioria das pessoas precisa deste silêncio para se concentrar, e que eu acredito que eu não, e que o cerebro humano prioriza a voz humana e isto sempre distrai, e que o vermelho é a primeira cor que os olhos reconhecem, que o objetivo da vida é transformar, todas as formas de vida tem em comum o fato de transformarem energia… bom, aqui o assunto já viajou longe 😀 mas voltando a Warp, eu lembro que os primeiros meses na Cyclades também foram difíceis por causa do choque de ambientes, eu acostumada com o caos de um ambiente de suporte, de repente me vejo num silencio ensurdecedor. Sempre quis tocar a Marcha Imperial lá um dia, até que fiz, mas o efeito foi muito menor do que eu esperava.

Pirineos – aproveitando o feriadão do dia 2 e a onda de calor, fomos visitar os Pirineos, onde você vê ao vivo aqueles cenários de poster. Montanhas coloridas, de verde, vermelho, laranjado, com a mudança de cores do outono. Cabras subindo pelo morro, vacas indo para a fronteira da França, e o Hector rindo da minha cara porque eu me espantava em ver cabras e rebanhos de ovelhas pela rodovia. Muitos e muitos pueblos de pedra. As primeiras fotos ficaram decepcionantes, afinal apenas dois anos de uso não me fizeram aprender como aproveitar minha camera. Mas depois, com as dicas de um amigo fotógrafo, ficaram mais satisfatórias. Ficamos em Gavín, tomamos café da manhã em Biescas, visitamos dezenas de pueblos.

Updated: Televisão – quando tinha tempo, televisão sempre era uma fonte de diversão. Palavrões em qualquer programa era absolutamente normal, e programas como Pânico aqui não fariam muito sucesso porque qualquer jornal já tira sarro das celebridades. Como o comentário de um apresentador de um programa esportivo, após uma declaração de David Beckham em inglês: “um dia ele ainda aprende espanhol, afinal está aqui a apenas quatro anos”. Mas meu favorito era o Noche Hache(hache é a letra H), onde a apresentadora, Eva Hache, era impagável. Tem vários vídeos no YouTube. Ela tem vários “especialistas” em assuntos, e por exemplo a jornalista especialista em políticas foi a um congresso sobre relações exteriores e perguntou a um parlamentar lá: “dois espanhois sequestrados em Gaza em menos de uma semana, porque subitamente somos objeto de desejo?”. Ela também foi a personagem de um episódio onde ao fazer uma pergunta a um ex-presidente, recebeu como resposta a caneta sendo colocada dentro da blusa. Como diria Hector, e você pensando que isto era uma país sério…

Aviso aos leitores – assunto puramente fútil, quer dizer, fashion, daqui pra frente.

Zara e “sogra” fashion – a mãe do Hector me aparece dois dias antes da volta com presentes para mim, uns casacos de frio com pele falsa, pelúcia, e vários outros detalhes peruésimos que me apaixonaram. Além da gentileza, na sexta fomos a um programa exaustivo de ver vitrines. Se tivesse tempo e mais dinheiro, ia fazer a festa. Mas mesmo assim foram alguns bons achados. Principalmente a Zara, uma rede que eu não conhecia. Porque aqui é caríssima, enquanto lá me pareceu o mesmo preço que por exemplo a C&A, com a diferença de modelos infinitamente mais bonitos e fashion. Seria um vício se morasse lá, sem dúvidas.

Ei ei, vocês se lembram da minha voz? – Ela continua a mesma, mas os meus cabelos… não, não tem muita diferença não (ara, enganei). Sabe aquele vídeo do Sun Screen, que fala “não mexa muito no seu cabelo, ou quando você tiver 40 anos vai parecer 89”. Embora eu até acredite nele, não consigo refrear meus testes. Já fui loira, morena, castanha(o que eu acho que era meu tom original), até começar a testar castanho avermelhado, preto avermelhado, acaju, vermelho, até o vermelho cereja, que me adaptei. Depois de um ano mais ou menos, queria testar novamente, então tive a infeliz idéia de pintar de vermelho super intenso(é, nem sempre dá certo). Nunca mais consegui me livrar daquela coisa alaranjada que surgia uma semana e meia depois de pintar de qq outro vermelho. E também os fios já estavam pedindo alguma medida drástica para hidratá-los. Então fiz uma cauterização ou selagem, para repor queratina. Já que ia fazer isto, pintei também de um tom bem mais escuro de vermelho pra ver se acabava de vez com aquele laranjado. O resultado foi ótimo, e muito pouca gente percebeu que “estava mais vermelho antes”. Mas isto resolvemos amanhã 🙂

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