FOSS.IN – Primeiro dia

Cheguei em Bangalore a 1:30 da manhã, e encarei mais quase uma hora e meia de espera, entre imigracão e bagagem. Ali já comecam a voltar as lembrancas: o maneio com a cabeca o tempo todo que eles estão falando, a multidão e o fato que depois que vc passa pela imigracão, no mínimo mais três pessoas estarão no seu caminho para checar se vc tem o carimbo. Enfim, fui dormir 4 da manhã, mas acordei as 7 e meia para tomar banho, café da manhã e estar pronta para ir a abertura.

No café da manhã, reencontrei varias pessoas, como o Aaron Seigo do KDE e um palestrante da Malasia que eu não consigo decorar o nome, Russ Nelson, Andrew Cowie, Ramus Lerdorf. Fomos para o novo local da conferencia, desta vez uma universidade. O auditório principal, onde vai ser minha palestra amanhã, tem capacidade para 750 pessoas, e estava lotado na abertura.
Assistindo a abertura, fiquei realmente feliz e me lembrei coisas que fazem este evento especial. Estava lendo ontem o blog do Atul Chitnis, premier do evento, e ele falando do quanto ele fica feliz e orgulhoso do time de voluntários que fazem o evento acontecer, e que fazem isto por paixão mesmo, para ter um evento memorável. E eles realmente são sensacionais, sempre alegres e prontos a ajudar em qualquer coisa, correndo para montar os kits ou o acesso a internet, os stands… bom, na abertura, Atul agradeceu a presenca de todos, instou aos “companheiros” virtuais que se “colocassem rostos nos nicks”, pois assim nascem muitos projetos bem sucedidos, como foi o caso do KDE India ano passado, e como é o caso do próprio evento. Disse que o evento é conhecido por acrescentar conhecimentos novos aos participantes, e que todos deviam perguntar e participar das palestras. E passou ao ritual de acender a lampada do evento, e para isto chamou um representante de cada grupo de usuários, de Delhi, Goa, Bangalore, e outros que eu não lembro o nome. Ele faz questão de frisar que o evento acontece por causa dos grupos de usuários, e ele embora agradeca aos patrocinadores, são os grupos de usuários que tem que acender e dar o tom do evento. Eles que mantem a estrutura do mundo open source. Entendem o porque eu gosto tanto desta conferencia?

O ritual de acender a lampada é como quebrar a garrafa de champanhe na inauguracão de um barco. Se o barco não afundar, está pronto pra navegar. Se a lampada(tipo lamparina, com óleo) não pegar fogo, o evento está pronto pra comecar.

Então ele anunciou a palestra de abertura, o primeiro keynote. E finalmente, apos 7 anos, ele tinha como palestrante de abertura, um indiano. Na verdade, uma indiana, Suparna Bhattacharya. E ele estava realmente muito feliz, pois após todos estes anos onde segundo ele a India era visto como um país consumidor e não produtor de software livre, ele tinha a palestrante perfeita para iniciar a conferencia. Suparna é desenvolvedora no kernel, trabalha em um dos LTC da IBM, e é de Bangalore. E embora ele estivesse feliz por todos os palestrantes que vieram de todo o mundo, “mas ela é uma de nós! Eu não quero parecer muito exaltado, mas, ELA É UMA DE NÓS!” Estava conversando com ela antes da palestra, e ela estava muito muito nervosa, porque disse que não sabia falar assuntos não técnicos para gente não envolvida no que ela trabalhava. E vê-la depois no palco, super miudinha, falando sobre minimalismo no desenvolvimento do linux e como simplificar, eu ficava ainda mais feliz por ter mais uma mulher para inspirar e servir de exemplo para tantas outras.

A palestra dela, Minimalismo no desenvolvimento do Linux, iniciou com ela contando a respeito de como ela comecou a gostar de rock. Ela não entendia o gosto do irmão pelo rock, então ele disse que aquilo tinha que ser apreciado aos poucos para ser entendido. E foi assim também com o desenvolvimento em Linux, aos poucos ela foi percebendo as possibilidades e o poder do novo modelo de desenvolvimento. Nesta parte ela me lembrava muito a Misfit: enquanto estava falando estas coisas menos técnicas, ela estava super nervosa. Depois, ao falar dos problemas de manter o kernel otimizado – se preocupar com sistemas embarcados e de grande porte, escalabilidade e otimizacão, enfim, caracteristicas antagônicas – ela estava super a vontade.

Enquanto isto, eu estava brigando com o modulo wireless do note, que como podem notar está funcionando. Depois do almoco – que ou estou me acostumando ou estava realmente menos ardido – voltei pro hotel para descansar, então vou ficar devendo relatos de outras palestras, várias que eu queria ver :-/. Estava atingindo um ponto de cansaco que iria comecar a responder em portugues para as pessoas 🙂

Acabo de voltar do jantar dos palestrantes. Aqui metade das pessoas são vegetarianas, mas vegetarianas mesmo, de não comer nada feito com ovos ou leite. Tão restritos, que um outro palestrante molhou um pedaco de um tipo de nugget de peixe no molho que estavam usando para o milho empanado, e isto para eles batizou o molho, e eles não comeram mais. Ficamos conversando sobre ser vegetariano em outros lugares, e me parece que aqui é o melhor lugar para ser vegetariano.

Vou ficar devendo fotos, não sei como eu fiz isto, pois eu juro que coloquei minha camera para carregar na noite antes de vir, mas ao ligar me avisa que está acabando a bateria… mas isto também não deve ser problema a julgar pelo tanto de cameras tirando fotos. Amanhã já devem haver várias disponíveis.

4 thoughts on “FOSS.IN – Primeiro dia

  1. Valeu o relato!

    Bacana eles valorizarem o pessoal local.
    E muito importante ter a grande capacidade, feminina cada vez mais deixando de ser desperdiçada.
    Você fala dos vegetarianos, ai deve ser mesmo o paraíso, por aqui, é um sofrimento, fora de casa e de locais especializados, só vivemos de salada.

    É isso aí!
    Boa Sorte!
    Felicidades!!!
    T+

  2. Ahahah, muito engraçado o lance do nugget. Bem diferente de eventos no Brasil.

    Muito legal vc ter ido nesse evento.

    [dicasParaOBlogParaApagarDepoisDeLer]
    – As letras estão um pouco pequenas, que dificultam a leitura.
    – Tente separar as ideias em mais parágrafos e frases. A mente não consegue acompanhar tanta fluência.
    [/dicasParaOBlogParaApagarDepoisDeLer]

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