O melhor de Florianópolis

Geralmente quando conheço pessoas em São Paulo, após algum tempo sem identificar exatamente de onde vem meu sotaque, me perguntam de onde eu sou. Após saberem que eu sou de Floripa, 10 entre 10 exclamam espantados: “E o que é que você está fazendo em São Paulo?”. Eu adoro São Paulo, seu caos, agito, insônia, possibilidades. E ‘e isto que eu estou fazendo aqui. Mas para não dizerem que eu renego minhas origens, vou fazer o seguinte, dar dicas para vocês de coisas que não constam na maioria dos roteiros oficiais para quem vai para Floripa. Coisas que qualquer manezinho da Ilha sabe, e quem quiser fugir da rotina e do guia turistico, pode encontrar muitas coisas diferentes. Para a programação oficial, melhor buscar no Guia Floripa.

Floripa

Praias: Minha praia favorita é a Lagoinha do Leste, muito bem apresentada na descrição do Aurélio. Gosto também da Praia Mole e da Joaquina, mas para fugir do lugar comum, vou apresentar a Ilha do Campeche. Fica no Sul da Ilha, e se você quer aproveitar bem, procure ir pela manhã cedo. Como é muito quente, a tarde geralmente o tempo fecha e chove forte, o que vai fazer os barqueiros lhe tirarem da ilha cedo, antes da tempestade. Para ir até lá, você pega uma embarcação na Praia da Armação. Do lado da Praia da Armação também tem a Praia do Matadeiro, onde passei parte da aborrescencia. Também gosto da Praia da Solidão, no extremo sul, onde tem uma trilha para a cachoeira. A praia do Santinho é conhecida por ter inscrições rupestres de mais de 5mil anos. As praias são um item muito batido em qualquer guia turístico, você pode escolher um roteiro Norte, Sul ou Leste de praias a visitar. Quando eu fui de férias e finalmente entendi como é bom passar férias lá, foi quando eu fui depois do Carnaval, com os preços muito mais baixos, com trânsito aceitável. A ilha tem ruas muito estreitas, e por exemplo todo o caminho desde a Lagoa da Conceição até a Barra, passando por Praia Mole e Joaquina é em vias de uma única pista para cada sentido. Ir a Praia Mole fim de semana na temporada representa três opções: sair antes das 16hs, depois das 22hs, ou enfrentar pelo menos 3hs de engarrafamento. Daquela vez eu fiquei em uma pousadinha na Estrada da Joaquina porém pertinho da subida pra Praia Mole, então fiz tudo a pé. Mas como praias é um tema batido, vou me ater mais nas coisas que são menos explicadas.

Update: atualmente, minha praia preferida é Morro das Pedras, onde atualmente minha família mora. Caminhando 10 minutos, a vista é esta:



Balada:
não sou uma pessoa extremamente baladeira, por isto vou me abster de comentar os lugares desta sessão, apenas citá-los. No verão a Lagoa é o lugar mais indicado, com vários barzinhos ao ar livre para não sufocar no calor. O problema é que são pequenos para tanta gente, mas não tem problema. Geralmente mais gente fica perambulando pela rua do que dentro das saunas. Canasvieiras é a direção se você quer praticar seu espanhol 🙂 Eu poderia citar os lugares que conheci, o Latitude, o Cafe Cancun, mas eu corro o sério risco de falar de algo que fechou ou mudou de nome. Durante o ano, pelo frio e pelo pouco número de pessoas que se interessa em sair a noite, eu acho, muitos lugares fecham e só abrem no verão. Durante este período, mudou o dono, mudou o nome, mudou o público, a música. Em geral, existem dois lugares bombando e o resto a míngua. Só no verão que tem mais opçoes.

Restaurantes: Toda vez que vou a Floripa, eu e minha mãe temos um programa padrão, almoçar no Pequeno Principe, um restaurante que fica na estrada principal do Campeche, bem na frente da praia. Ali tem um pastel de camarão delicioso, peixe sempre fresquinho, e mesinhas fora do restaurante para você ficar papeando e vendo o mar. O dono já reconhece a gente e sabe que sempre que estou na Ilha, vou lá com minha mãe. Uma outra tradição é o Bocas, que são 3 ou 4 restaurantes/lanchonetes com o mesmo nome que se diferenciam pelo tamanho das porções: uma porção dá para 8 pessoas. Sério. Sério mesmo, não acredita vai lá ver. O mais fácil de achar é o do Estreito. Sempre que iamos almoçar ou jantar em galera, era 1/2 porção para cada 4 pessoas. Tem refeições e porções, geralmente se combina camarão empanado e batata frita. Se não acredita em mim, pode pedir então uma porção completa, eles embrulham o que você não vai conseguir comer. Ah! Mas prepare-se, não aceitam cartão :~ Um outro programa fantástico é fazer lanche no Ponte 100, uma lanchonete que fica exatamente na cabeceira da ponte Hercílio Luz.

Vista do Centro a noite

Lembro que quando cheguei a São Paulo, custei a entender que aqui X-Salada é só hamburguer, queijo, alface e tomate num pão seco. Em Floripa, qualquer lanchonete que você parar, um X-Salada representa isto aí, só que em um pão fresquinho né, mais presunto, milho, ervilha e batata palha. Algum tem outros ingredientes. Então, não esqueça, cabeceira da Ponte, lado da Ilha. E para um programa mais caro porém igualmente inesquecível, tem o Ponta das Caranhas. Este você precisa prestar atenção para achar, descendo o morro depois da Praia Mole em direção a Barra, fica bem no fim da descida à esquerda, se bobear você passa direto.

Cultura:
a Ilha foi colonizada principalmente por portugueses da Ilha dos Açores. Em homenagem a ela, foi feita o Ranchinho de Amor a Ilha, pelo poeta Zininho. Não sei e não se sabe qual o cartão postal oficial da Ilha, a Ponte Hercílio Luz, a figueira centenária da Praça XV(que fica deslumbrante com a iluminação de Natal) ou, pelo menos para mim, a vista da Lagoa da Conceição de cima do Morro das Sete Voltas.

Ponte

Quando você for visitar a Lagoa pela primeira vez, não estrague a surpresa. Vá pelo caminho vindo do Centro pela Beira Mar norte, passe pelos elevados e pegue o Morro lá no Itacorubi. Quando chegar lá em cima, vá devagar para aproveitar a vista, mas atenção com o trânsito! Existe um mirante ali, você pode parar e tirar fotos, mas o melhor angulo mesmo é do outro lado, então preste atenção. Outros pontos típicos são a Catedral – não sou religiosa, não sei dizer se vale a pena – e o Museu de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Sousa, em frente a Praça XV no Centro. João de Cruz e Sousa(1861-1898) foi um poeta negro, de pais alforriados, mas sua família devia ser querida pelo Marechal, que o proporcionou estudo e educação. Teve uma vida conturbada pelo preconceito, e tem em sua poesia simbolista marcada por versos fortes e drepressivos, principalmente depois do falecimento da sua mulher. Mas tem versos românticos também, além de outros temas:

Flor do Mar

És da origem do mar, vens do secreto,
do estranho mar espumaroso e frio
que põe rede de sonhos ao navio
e o deixa balouçar, na vaga, inquieto.
Possuis do mar o deslumbrante afeto,
as dormências nervosas e o sombrio
e torvo aspecto aterrador, bravio
das ondas no atro e proceloso aspecto.
Num fundo ideal de púrpuras e rosas
surges das águas mucilaginosas
como a lua entre a névoa dos espaços…
Trazes na carne o eflorescer das vinhas,
auroras, virgens músicas marinhas,
acres aromas de algas e sargaços…

Um bairro super típico é o Ribeirão da Ilha, onde tem o Museu da Cultura Açoriana. Era tão pequenininho que eu nem sei se ainda existe, mas estava lá da ultima vez. Tem também um centro cultural na Lagoa, onde as vezes tinha apresentação do Boi de Mamão, uma brincadeira absurdamente divertida para as crianças menores.


O Ilhéu
– O Ilhéu é chamado Manezinho da Ilha, e encara isto da mesma forma que eu encaro quando alguém me chama de nerd 🙂 Um dos tios da minha mãe, o Tio Chico, já ganhou inclusive um Troféu Manezinho da Ilha. A família dele torce desesperadamente pelo Avaí, e ele tem uma peixaria no Mercado Publico, a mais antiga de todos. Alias, se estiver passando pelo centro, vá no Mercado Publico tomar um caldo de cana. Principalmente os paulistas, o caldo de cana lá é muito diferente deste que tem nas feiras aqui de Sampa.

Os manezinhos da Ilha estão geralmente no Sul da Ilha, enquanto os turistas se concentram mais no Norte e Leste. Para entender a origem e significado de várias expressões e costumes, recomendo o Dicionário da Ilha. Se você conseguir entender o que um manezinho fala, apesar do sotaque carregado e fala rapidíssima, provavelmente vai receber um convite para um almoço a base de peixe frito. Existe sim um preconceito contra o pessoal de fora, eu o conheço bem porque era muito mais bairrista também. Mas po, você trabalha o ano inteiro para no verão ver o lixo que deixam a praia? Eu pessoalmente conheço muita gente que como eu, achou fantástico quando os turistas mudaram de argentinos para brasileiros, pois estando no mesmo país, você ainda se sente responsável por aquele pedaço de terra e cuida. Ainda está longe de ser o ideal, mas se você encontrar o pessoal lá do Sul da Ilha e for educado, provavelmente vão lhe acolher como se fosse um amigo de infância.

Minhas expressões favoritas:

Abobado – pessoa tola
Amarelo – pessoa sem importância (sai pra lá seu amarelo)
Antonte – anteontem
Baita – muito grande
Cacalhada – diz-se a uma turma que se acha que não vale nada
Emliar – fazer maçaroca, dar nó
Escangalhar – desarrumar, tirar tudo fora do lugar
Esteporado – estragado, arruinado
Lambisgóia – mulher feia, intrometida
Mocorongo – grosseiro, sem cultura
Maricota – personagem do boi de mamão (muito alta)
Meganha – pejorativo de policial
Óióóóóó – expressão de admiração
Rabiola – rabo de pipa ou de pandorga
Se quéz quéz se não quéz diz – se você quer então diga logo
Tanso – tolo, lerdo, pamonha, palerma
Tarrafa – espécie de rede cônica para pegar peixe ou camarão
Tatuira – mesmo que tatui, crustáceo que vive na beira do mar

Como é que pode né 🙂

13 thoughts on “O melhor de Florianópolis

  1. legal o blog! e floripa é realmente muito show!
    acho engraçado quando eles estão passando orientações nas ruas: “segue toda vida e vira às direita”, falam tão rápido que não dá pra entender muito bem, no final acabo ficando com o guia de ruas eletrônico mesmo, : )

  2. Adorei seu post! Procurava fotos de Floripa pro meu blog e acabei pegando dicas ótimas. Minha família é original de Açores e baixou no Brasil em Floripa (Linhares e Fragoso). Valeu! Bj

  3. Mto bom seus posts, tava procurando algo sobre Floripa na net, encontrei seu blog, afinal: – O que vc faz em São Paulo? Sua terra é mto linda!!!!!

  4. Olá Sulamita, sou produtora de comerciais, procuro com urgência um Manezinho da Ilha para um filme de telefonia, de preferência que more em SP. Por favor me retorne este post, até dia 10/09/07, se possível, para conversarmos melhor e te dar mais informações.
    Muito obrigada pela atenção

  5. Olá! Sou do Rio e estou em dúvida para comprar uma casa ou em BC ou Floripa p/ morar, pois são ótimos lugares, entretanto fico um tanto receoso se seria bem recebido, pois procuro me dar bem com as pessoas, ser “boa praça” e sou contra o “frio” humano!!

  6. oi…adorei seu os comentarios sobre sp,eu sou moradora de poa rs estou aqui a 6 anos,e vc sabe que todos os dias quase eu escuto:o que estou fazendo aqui ? isso por causa do meu sotaque que é mistura de nordestino com paulista,já morei em sp,alias tenho moradia lá, e qd vi essas fotos bateu saudade…bjs

  7. Sulamita, adorei tudo! passei em um concurso aí em santa catarina e os primeiros meses fico em florianópolis, espero ser bem taratada pelos manezinhos da ilha. esta, agora, vai ser minha terra. gostaria de conhecer mais pessoas daí… só me diz uma coisa: se me chamarem de “meganha” tenho que me ofender?
    MUITÍSSSIMO PARABENS PELO SITE!!!

  8. 😦 demoliram a ponte 100 hoje, prefeitura maldita. Agora quem vai ir na cabeceira da ponte a noite, nakela escuridão da praça da luz? (luz só no nome).

  9. Eu amo floripa,tbm e a minha terra!!mais no momento estou morando no Rio,e sinto muita falta desse lugar lindo…..das praias entao,sem comentarios

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