Mais uma da série “Alemanha”.

Hoje é o último dia de trabalho do Yannick na creche* do Aidan.  Ele estava na creche como praktikant, uma espécie de estágio que muitos jovens adultos fazem como parte da formação de estudos. Ele é um rapaz magrinho, de óculos, de 19 anos, que sempre me demonstrou muito carinho pelas crianças e pelo que estava fazendo. Aidan está em uma fase um pouco difícil tentando conciliar e separar 3 idiomas, e expressa sua frustração frequentemente. Mas Yannick sempre teve uma palavra de carinho para defendê-lo.

Ontem a noite preparei uma caixa de chocolates com agradecimentos pelo trabalho dele. Coisas como brincar no canto dos carros, picar a comida, ajudar a limpar o rosto, o nariz, colocar os sapatos. Cantar, rir, coisas do dia a dia. Expliquei pro Aidan que hoje era o último dia do Yannick e se ele queria entregar o presente. Obviamente que sim. Então quando chegamos, Aidan entra na salinha com o presente, e o rapaz se ajoelha pra ficar da mesma altura para recebê-lo. Como um bom bebê de 2 anos e meio, Aidan está um pouco perdido de como é o protocolo, então eu ajudo perguntando: “Aidan, pra quem é o presente?” ao que ele responde sorrindo “Yannick!” e entrega. E sai andando para o café da manhã.

O rapaz coloca a mão no coração quando ouve o bebê que ainda está aprendendo a falar soltar seu nome com tanto entusiasmo. Eu mesma não sou muito boa em momentos emocionais com pessoas que não tenho muita intimidade, então agradeço por tudo no meu alemão desajeitado, e vou arrumar o casaco do Aidan no cabide fora. Atrás de mim na fila para se despedir, outro pai, alemão, chega para agradecer o trabalho também. E eu noto que os dois tem lágrimas nos olhos. O pai toca desajeitadamente no ombro do Yannick. E eu não sei o que fazer. Como boa desajeitada, decido deixar eles no momento deles e ir pro trabalho. Noto que estou tremendo um pouco. Eu sei que quando ele abrir a caixa de chocolates em casa e ler cada um dos agradecimentos, mais lágrimas virão.

Eu sou realmente muito afortunada para viver em um lugar onde não apenas temos bons lugares para deixar nossas crianças, mas sou pessoalmente sortuda em cruzar com pessoas tão boas no caminho. Tenho pena dos homens que não sabem o quão intenso e gratificante é compartilhar estes momentos.

*Aqui não tem isso de escolinha. Criança vai pra vários tipos de centros de cuidado, mas até os 6 anos, eles praticamente só brincam, pintam, dançam e passeiam pelos bosques. Esse último faça chuva, sol ou neve.

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