Futebol, Eleições e Brasil

Twitter realmente matou o blog… pelo menos o meu 🙂

Futebol

Este ano me vi fazendo algo que sempre me incomodou muito e que sempre critiquei: ficar obcecada pela copa do mundo. Começou de brincadeira, e por pura diversão decidi que ia torcer para a Inglaterra, Espanha e Brasil, claro. Ainda que a torcida para o Brasil fosse incerta: outro campeonato mundial provavelmente influenciariam nas eleicoes, como é de costume. Porém depois dos primeiros jogos, mesmo achando difícil de acompanhar – 90 minutos para meia dúzia de lances emocionantes eh um custo x beneficio duvidoso – aos poucos fui me vendo cada vez mais ligada no assunto, ate virar meu monotema no Twitter.

Via amigos que continuavam com o mesmo desdém que eu antes tinha pela copa soltarem sua irritação pela mesma estar monopolizando tanta atenção, e fiquei pensando a respeito. Primeiro, como é que eu vim parar aqui? Segundo, o que tem demais?

O primeiro eu ainda não sei. Mas o segundo me arrisco a algumas teorias, que podem até estar relacionadas com o primeiro. Uma das coisas que muitos brasileiros que moram fora conhecem eh a idealização do Brasil. De tanto vermos gringos exaltando as belezas, o bom humor e a comida brasileira, acabamos por nos contagiar com esta perspectiva. Quando comecei a viajar para outros países, pensei que veria algo muito diferente, e minha surpresa foi encontrar não só o fato de que todo lugar tem seus problemas, como o fato de que muitíssimos lugares enfrentam exatamente os mesmos problemas. Acho que minha maior surpresa foi ver muita gente dizer “So mesmo no meu país”, o que eu sempre dizia. Entao acabei mudando um pouco minha opinião. Nao é o pior lugar do mundo para se viver – mas muito menos o melhor.

Outra questão era que eu sempre tive a opinião de que quem se importava com copa do mundo não tinha mais o que fazer da vida. E graças ao Twitter, Facebook e outros, vi que eu não poderia estar mais errada. Que muita gente que eu conhecia e admirava exatamente por serem inteligentes, bem informados e trabalhadores se ligavam no assunto com o mesmo fervor que todos. Países conhecidos por seu afinco no trabalho e respeito as regras, como Alemanha, Inglaterra e outros, paravam para ver as partidas exatamente da mesma maneira que eu via no Brasil. O que estaria acontecendo aqui?

Simples passatempo, pura e simplesmente. Vi muita gente conclamando que o povo deveria se manifestar sobre assuntos importantes como política com o mesmo interesse que se manifestava sobre a copa. Mas, pensando bem, não o fizeram? Fora Sarney não foi um trending topic também?

Política

E ja que a maior cobrança era sobre manifestações políticas ao inves de futebolisticas, fiquei pensando no meu voto. Sim, porque eu fiz questão de ir ao consulado de Londres, perder 2hs na fila para ter que voltar na próxima semana e perder mais duas (fui justamente quando Eyjafjallajökull interrompia meio mundo, deixando assim o consulado sem selos oficiais) para garantir que minha opinião seja registrada na eleição deste ano. Opinião esta insegura, na linha de escolher o menos pior, desanimada pelas pesquisas, mas mesmo assim, decidi nao anular meu voto e tentar desfazer a burrada que fiz 8 anos atras quando votei no Lula.

Eu comecei a votar com 16 anos, mas muito antes disto, eu queria participar. Fiquei extremamente infeliz com o resultado da eleicao de 1989 – eu sempre fui muito precoce para tudo, e com 12 anos ja tinha opinião sobre quem eu confiava ou não. Bastante ingênua, mas concordava com coisas sobre o não pagamento da dívida externa, que era um absurdo a quantidade de dinheiro que arrecadavamos comparado com o estado da saúde e das estradas do país. Que a quantidade de ministerios era muito grande, e que cada candidato apenas aumentava este numero. (Que diferença para hoje em dia!!!)

Entao de 94 a 2002, eu votei no Lula. Acreditava que seria diferente. Acreditava naquela indignação sobre a corrupção imperante no Brasil. Ah, como eu fui ingênua. O governo Lula e o PT, na minha opiniao, constitucionalizaram a corrupção, na maior cara de pau. Afinal, se um pais inteiro reelege um candidato cujos coordenadores de campanha foram preso com 2 milhoes de reais para um falso dossiê, cujo inteiro grupo de amigos e apoiadores mais proximos foram todos afastados pelo escandalo do mensalão – e não me venha com xurumelas dizer que ninguém foi condenado ainda, porque impunidade dos seus é a segunda coisa institucionalizada por este governo – aceitou definitivamente que corrupção faz parte. Por todos os lados, quando eu digo que vou votar em quem quer que seja para tirar o PT do poder para passar a mensagem que corrupção não eh aceitavel, todo mundo que vai votar no PT me diz “ah, mas todo mundo rouba”. Caracoles. Eu não roubo, porque vou aceitar e ainda dar permissao para me roubarem?

Brasil

O que me leva ao último ponto. O problema não são os politicos. Se fossem, alguém novo que entrasse mudaria algo, e pode entrar quem seja, não muda o cenário. O problema é o brasileiro. O problema é não ter em quem votar, porque todo mundo, absolutamente todo mundo que entra para esta vida vai para se dar bem. Seja por dinheiro, seja por poder, por favores, todos eles governam pensando na próxima eleição, não em que seria melhor para o povo. Eu não acredito em nenhum, nenhum politico, e ja repeti isto muitas vezes. Todos os politicos envolvidos com software livre no Brasil são tremendos demagogos, vendo no SL uma bandeira a mais para se abanarem. Muita gente envolvida com política não entende a aversão que temos deles, mas é bem simples: imagine que eu trabalho duramente de manhã cedo ao fim da tarde, pago impostos, tenho deadlines e tudo é feito sempre pensando em cortar custos. Deste meu dinheiro, saem os impostos que pagam viagens de caravanas de 50 pessoas para eventos de software livre, para mostrarem que em dois anos fizeram o trabalho que se fossemos nós em nossa empresa, teriamos um prazo de um mês. Claro que eles sabem muito bem porque detestamos esta mistura, mas fingir que não entendem é bem mais facil.

Mas voltando ao ponto, o problema é que o brasileiro é corrupto. O brasileiro paga 50 reais ao guarda para não ganhar uma multa por estar dirigindo fora da velocidade permitida. O brasileiro adora quando recebe o troco a mais. O brasileiro acha que não tem nada de mais enganar um bêbado na conta. É a centenar história: farinha pouca, meu feijão primeiro. E vou um pouco mais além: o homem brasileiro acha bonito trair, acha que é mais macho por enganar a pessoa que esta do lado dele todo dia e toda noite. Se trair seu principal companheiro é aceitável, porque não o seria com alguem bem menos próximo?

E quando penso nisto, tenho a maior vontade de votar nulo, porém isto seria desperdiçar meu voto, seria apenas uma falsa sensacão de nao compactuar com a situação. Mas isto seria apenas me isentar das responsabilidades e não me adiantaria nada, então me contento em tentar desautorizar esta bandalheira que rola solta. Além do mais, não votar na Dilma é uma escolha muito obvia. Concordo plenamente com as analises de que a Dilma que existe nao é candidata, e a que é candidata não existe. A Dilma é apenas um fantoche que marketeiros estão tentando fazer funcionar. Ela apenas recita o que é passado, e mesmo assim, sem a menor competência.

A Marina Silva parece bastante coerente nas suas posiçoes, mas preciso ler mais a respeito. Confesso que o fato de ser evangélica me dá arrepios, vide o que acontece no Rio de Janeiro. Acredito em um estado laico, onde pessoas que pagam seus impostos igualmente deveriam ter os mesmos direitos igualmente, e que religiao é uma questao individual que nunca deveria ser usada para suprimir de outras pessoas a liberdade individual. Mas lembrando dos medicamentos genéricos, a batalha contra as empresas de cigarros, e lendo o histórico de vida, meu voto atualmente vai para o Serra. Um candidato que nunca teve muito a minha simpatia, nao sei bem porquê. Talvez seja a semelhança com o Mr Burns. Mas no momento, é o que me decidi. Se ele ganhar, não sera uma vitoria, mas pelo menos não será uma derrota tão retumbante perante a intimidação da imprensa, a corrupção e a vergonha que me dão os discursos do nosso presidente.

Enfim

Bom, aí esta minha manifestação sobre política. Se vai alcancar tanta audiência como meus twitts sobre a copa não sei, mas espero. Se eu prometer fazer isto toda eleição, posso torcer sossegada?

Parabéns Espanha! Bem vindos ao clube 😉

E fica aqui o desejo que um dia não só o Brasil mas como todo o mundo valorize mais a honestidade, o trabalho e a igualdade que dinheiro e status. Que uma pessoa valha mais por seu caráter, não pelo tamanho da casa ou o preço do carro. E que cada seja feliz o suficiente com a própria vida para não estar cuidando e ditando como os outros devem levar as suas próprias vidas.

29 thoughts on “Futebol, Eleições e Brasil

  1. A Dilma não é um candidato fantoche como todos tentam colar. Ela deve ter governado o Brasil mais que o Lula nos últimos anos. O “problema”, que não é problema, é que ela não é extrovertida, não faz o jeitão pegar-bebê-no-colo. Acho que pegar no pé dela por conta disso é “baratear” o debate. Não existe nada de falso em não ser extrovertido. Os nerds deveriam saber disso 🙂

    Eu acho que o a Marina é uma crente fundamentalista mesmo, em nada diferente da galera do Rio. Sua impressão me parece correta. Não voto nem a pau. O PV jogou seu programa no lixo para acomodar essa aberração. Mesmo que ela não fosse fantoche de igreja fundamentalista, ela é uma pessoa que já falhou: foi ministra do meio-ambiente e não agüentou o tranco. Não consigo imaginar alguém que falhou como ministro sendo bom presidente.

    Quanto ao Serra, embora não tenha nada muito grave na biografia dele (embora seja menos ficha-limpa que a Dilma, pelo que saiba), ele já está desde agora desesperado com a derrota, e como no final da campanha de 2002, ele está partindo para um reacionarismo muito babaca, e ainda o faz de forma covarde, usando o vice dele como alto-falante daquilo que ele não tem coragem de falar. Eu não rejeito o Serra, mas ele está tornando a coisa difícil pra ele.

    Eu não consigo enxergar diferença de honestidade entre Serra e Dilma. O PSDB tem seu grupo de corruptos (a galera da privatização) e o DEM (longa ficha corrida) a tiracolo. O PT tem os seus. Os Sarneys e Collors da vida são meramente fisiológicos, se o Serra ganhasse o governo eles estariam sentados no colo dele no mesmo dia, assim como estiveram quando o FHC era presidente. É inocente achar que o Serra estaria livre deles.

  2. Ótimo texto. Mas sabe o que estou pensando da Marina?! Eu também tenho um pé beeeem atrás com a questão da religião, mas não é igual certos candidatos cariocas *coff*coff* (aquele diminutivo) que usam isso como bandeira, colocam na frente e levantam a placa.

    Vamos esperar a inquisição do PT, é bem rapidinha em vir espalhar a propaganda oficial

  3. Bom texto. Além de algumas generalizações, a única parte que decepcionou bastante foi “homem brasileiro acha bonito trair”, mulher não? Mulher não trai?

    • Mulher trai, mas não se sente “mais fêmea” por este fato. E as amigas não dão tapinhas nas costas pelo fato, esta é a diferença que eu quis usar.

      • Por outro lado, diversos comportamentos femininos são tolerados com tapinha nas costas das suas pares e tudo. Golpes do baú, por exemplo.

        Note que isto não é um ataque pessoal. Provavelmente existem duas ou mais sub-espécies de mulheres, assim como de homens.

        • Yeah yeah… porque golpe do baú está entre as principais causas de divórcios… bleh…

          Você poderia ter usado exemplos mais felizes. Como por exemplo o fato que a grande maioria das mulheres brasileiras querem salários iguais mas não querem dividir a conta…

      • A discussão estava restrita a “causas de divórcios”? Além do mais, se golpe do baú não é causa líder de divórcios, é no mínimo um mau começo.

        E a história de não dividir a conta, me parece que tem origem semelhante ao golpe do baú: simplesmente esperar do marido que seja o único e suficiente provedor. É submeter-se voluntariamente a um relacionamento desigual, e depois achar ruim quando as mazelas da desigualdade aparecem.

        • Não, a discussão estava em “condutas imorais aceitas com base em gênero”. E eu achei que golpe do baú era casar com alguem rico apenas pelo dinheiro e depois exigir pensão, metade dos bens e coisarada. O que é golpe do baú para você? E assumo que isto seja algum comportamento amplamente encontrado.

          Agora, teus posts e opiniões sobre casamento são os típicos relatos que geralmente me levam a não entender porque todo mundo parece querer casar ou ver todo mundo em volta casado. Parece a tática “to no inferno, vou levar tantos quantos possa comigo”. Se casamento é segundo seus relatos, eu faço é bem de ficar solteira…

          • Bullshit. Observar o comportamento online de um único nerd reclamão não gera dados suficientes para avaliar. E no final das contas, o que importa é apenas a sua própria experiência no assunto.

            Posso garantir que ter casado foi a melhor escolha da minha vida. Estamos há uma década juntos e muito bem, obrigado. 🙂

            Sobre o tópico da pelea, acho que há uma categoria de homens que acha lindo trair, mesmo. Mas é uma generalização complicada por alguns motivos:

            (1) Não sei dizer realmente se a categoria de homens que acham que trair é coisa de macho é maior ou menos que a que não pensa assim. Admito que *acho* que sim, mas não sei.

            (2) Dizer que isto é um fenômeno brasileiro me parece injusto, por mais defeitos que o brasileiro tenha. Primeira coisa que os gringos querem fazer quando chegam no brasil é saber onde ficam os puteiros. Até porque a mulher brasileira tem uma fama bastante peculiar lá fora (e injusta, na minha opinão)

            Há poucas semanas, nos EUA, um grupo de argentinos que estava por lá, cheio de casados, foi a um puteiro. Eu me recusei. Existem homens e homens.

            Para ser sincero, eu fui a um strip club em San Francisco uma vez com meu gerente. Honestamente achei uma experiência absolutamente desagradável (em tempo, contei para a minha esposa). De novo, há homens e homens.

            Claro, muitos lerão este texto aqui e concluirão que sou um viado gay homossexual, o que serve para fortalecer seu argumento. Felizmente também serve para o meu: há homens e homens.

      • A rigor, golpe do baú é apenas casar com alguém mais rico e matá-lo em seguida. Mas como isso é raro, usamos a expressão para denominar todo um espectro de comportamentos semelhantes. Meu espectro é um pouco mais amplo que o seu. Minha tendência ao reducionismo, you know.

        De fato eu não entendo porque existe essa idealização do casamento. Acho que existe essa pressão social mesmo, para todo mundo ir para o mesmo inferno. Esse tipo de pressão existe em outros planos também. Por exemplo, eu tive um filho e fiz vasectomia em seguida. Foi uma das poucas coisas em que eu e minha esposa *sempre* concordamos: em ter apenas “meio filho” (ou um, ou nenhum: média 0.5 portanto 🙂 Já ouvi incontáveis críticas e insinuações por conta disso. Aquela ladainha do “quem tem um não tem nenhum”, que “filho único é problemático” etc.

  4. Não entendo muito bem essa de corrupção ser um praxe petista. Durante os oito anos de governo petista, a policia federal realizou mais de mil operações especiais. No governo FHC, foram 86. Quando o primeiro procurador da república do governo Lula assumiu, encontrou mais de 800 processos arquivados pelo procurar da era FHC.

    Outra coisa que me incomoda é a Dilma não ser candidata. Primeiro porque O Globo não merece crédito nem resposta, já que é filiada ao PIG. Vamos de novo, mais uma vez, não entendi, deixar de discutir propostas e ficar atacando a pessoa do candidato?

    Mas o que realmente me motivou a deixar esse comentário é essa velha máxima de que o mal do Brasil é o brasileiro. Tipo, cade esse tipo de brasileiro? Não sei qual foi o seu contato conosco, mas eu trabalho atendendo eles o dia inteiro. Devo atender em média uns 15, todo dia, além dos que conheço. Trabalho justamente com o que é de mais caro a nós, o dinheiro. E posso garantir que são pessoas honestas, trabalhadoras, que não tiram vantagem e pagam suas contas em dia, como eu e você. Claro que temos as exceções, mas é a minoria, com certeza.

    Abraços.

    • Número de operações da PF não é parametro, não muda em nada minha opinião. Eu tenho memória para lembrar de quantos escandalos foram reduzidos a ações de “meninos aloprados” ao invés de serem tratados como deveriam ser, como homens corruptos. Nada de meninos.

      Globo? Que Globo, quem falou em Globo aqui? Eu não via TV há anos, e muito menos Globo. Ah, também não leio a Veja. Porque petista sempre acha que quem não vota no PT está sempre manipulado por Globo, Veja e sei lá mais o que? Nunca passa pela cabeça que eles também devem estar sendo manipulados? Parece um argumento religioso, quem está contra está a mando do diabo…

      E pesou a mão esta de “qual foi seu contato conosco”. Um ano morando fora não invalida meus 32 anos morando no Brasil. Mas tudo bem, eu também pensava como você quando tinha a sua idade. Mas pôr a sua mão no fogo por pessoas que você não conhece, apenas interage uma vez ao dia, é arriscado viu…

      • Se os números da Polícia Federal não são parâmetros, talvez seja o fato de que no governo Lula ter sido onde tivemos, pela primeira vez, um governador caçado e preso.

        Eu disse O Globo, não A Globo. O Jornal. A recusa da Dilma foi para o jornal O Globo. O termo PIG não foi cunhado pelo Paulo Henrique Amorim, e não sou seu fã. Prefiro ficar com a referência do Luis Nassif.

        Também não sou petista. Com certeza, um governo ideal para mim está longe de ter sido o do Lula, mas não sou cego em reconhecer os diversos avanços. Se dizer que foi uma mistura de sorte com o que foi implantado pelo governo FHC, vale lembrar que este quebrou o país 3 vezes (na disparidade, na crise dos tigres e leste europeu) e em 2008 o mundo sofreu a pior crise desde a década de 30, mas mesmo assim fomos o primeiro a sair da crise.

        Quando tinha 10 anos, FHC tomou seu primeiro mandato. Quanto tinha 18, Lula tomou o seu primeiro. Se você tem memória da sua adolescência, eu também tenho. E posso te garantir que minha vida melhorou muito, de oito anos pra cá. Pelo menos nunca mais ví meu pai deixar de comer para não faltar comida, mas não estou aqui para pagar de coitadinho. Hoje tenho um bom emprego, onde posso pagar meu aluguel (não moro mais com a mãe, menino revoltado eu né), tenho carro e estudo em uma universidade pública federal.

        Aumento real do salário mínimo, expansão do bolsa família, mercado interno forte, expansão do ensino público federal, geração de emprego, vinte milhões que saíram da linha da miséria, uma nova classe C, novo papel internacional, etc, etc. Pra mim foram pontos fortes.

        E não ponho a mão no fogo. Eu as conheço onde é mais caro, o bolso, como disse acima. Também “interajo” com diversos amigos, e também onde estudo.

        Por último, não menospreze minha opnião por causa da minha idade. Você foi precoce ao se interessar por política aos 12, não? Naquela época não valia o seu interesse?

        Abraços

        PS: também não invalide minhas opniões por ter sido burro em 2006 e ter votado para a re-eleição do Lula.

        • Se cassação fosse parâmetro, poderíamos colocar o Color ou Itamar? No mandato deles um presidente foi caçado. Eu não tenho a menor dúvida que se o governador fosse do PT, iam defender com unhas e dentes.

          FHC não está concorrendo, e mesmo assim, não sei porque o PSDB foge tanto de defende-lo. Foi a política economica que ele lançou e que o Lula seguiu que melhoraram a nossa economia. Apesar da crise mundial ter sido muito mais histeria que crise, neste ponto concordo com você, a nossa economia não sofreu o impacto. Se é sustentável eu tenho minhas dúvidas, mas realmente foi uma marolinha.

          E fico muito feliz com seu sucesso pessoal, mas é apenas isto, sucesso pessoal. É resultado de uma série de parâmetros, não apenas do governo. E não invalido sua opinião, mas não posso deixar de relacionar com o fato de eu ter tido a mesma opinião na sua idade e eu acho ingênuidade. E esta é a minha opinião.

          E de mais a mais, não vou mudar seu voto nem você o meu. Uma das tranquilidades que estou descobrindo agora de morar fora é que não sou obrigada a conviver com o resultado da opinião alheia, então também não estou afim de debater a eleição. Entendo que talvez você ache que tem o dever de deixar seu contraponto aqui para futuros leitores não sejam influenciados, mas acredite, este blog não tem mais o acesso que costumava ter, então nao se preocupe, quase ninguém lê.

          E de mais a mais, independente do resultado, espero que você tenha mais e mais sucesso para continuar podendo pagar o seguro do carro, o plano de saúde do seu pai e talvez a escola particular dos seus filhos. O que eu gostaria mesmo é que nem você nem eu precisassemos pagar por isto…

  5. O brasileiro é desonesto? É. Também é preguiçoso, submisso, desaculturado e ainda acha que o mundo deve algo a ele. Brasil, país de todos os manés.

    Mas é apenas reflexo da herança latina. O resto dos latinos são iguais.

  6. Sulamita, muito bom post! Não concordo com tudo, nem vejo muita graça em futebol, mas concordo com muito =).

    Fiquei coçando pra comentar algumas coisas:

    Eu concordo que a Dilma foi quem governou nos últimos anos. Não por acaso, nesses últimos anos foi que eu deixei de ver o governo como bom e comecei a sentir vergonha =P.

    Marina Silva me parecia uma pessoa de uma faceta só, que eu não considerava capaz de ser presidente. Mas ela me surpreendeu positivamente. Também tive problemas com ela ser evangélica, mas isso é preconceito – ser de uma religião não necessariamente te leva a agir sempre guiado por ela e Marina já disse (e provou IMO) repetidas vezes que sabe separar crença individual da chefia de governo, que exige ser laico (e não ateu, também, btw).

    Qualquer comparação entre governo FHC e Lula feita em termos absolutos é no mínimo inocente e no máximo leviana. Eu fui criança na década de 80, adolescente na década de 90 e adulto nos anos 2000. A vida era uma merda na década de 80 – muita coisa não funcionava, os ocupantes de cargos executivos gastavam dinheiro e faziam dívidas irreais, a elite surfava na onda inflacionária. Nos anos 90 isso começou a mudar e muitas instituições que hoje são muito importantes para nossa economiga, como o COPOM, o compulsório, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a própria política macro-econômica sustentada pelo tripé câmbio flutuante/metas de inflação/metas de superávite primário foram criadas nessa década. Sem contar a inflação que caiu 2 ordens de grandeza – isso tudo considerando que o Brasil sofreu impacto de pelo menos 4 grandes crises internacionais e a ridícula crise de “medo do Lula” no final de 2002.

    A nossa vida começou a melhorar na década de 90 e é muito bom que o governo que veio depois tenha entendido que era importante manter essas fundações (por meio até mesmo de ter um PSDBista escolhido para presidente do Banco Central). Não é à toa que o Brasil passou por essa única grande crise mundial da era Lula sem se chacoalhar todo. Toda a fundação foi criada na década de 90 pensando exatamente nesse tipo de estabilidade – os bancos não tinham liquidez magicamente, eles tinha liquidez e estavam sólidos porque o sistema bancário foi consertado lá atrás, depois da falta de noção que foram BEMGE, BANESPA e até mesmo Banco do Brasil (que precisou de grande injeção de capital porque vivia da “espuma” inflacionária).

    Em outras palavras, pra resumir, por mais que a gente queira simplificar as comparações as coisas não são tão simples quanto parecem e não basta comparar números absolutos. Em alguns casos a criação de instituições, por exemplo, pode ser muito mais importante e atender muito melhor nossa aspiração de alguém que pense no longo prazo do que uma benesse imediata.

    Sobre a honestidade do brasileiro: http://blog.kov.eti.br/?p=108

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